Parceria Brasil Índia foi o tema central da conversa telefônica de 45 minutos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, na última quinta-feira (22 de janeiro). O diálogo abordou a ampliação da cooperação bilateral em defesa, comércio, saúde, energia, ciência e tecnologia, além de minerais críticos, terras raras e biocombustíveis.
Parceria Brasil Índia: Lula discute cooperação em defesa e comércio
Segundo nota oficial do Palácio do Planalto, todos esses assuntos serão refinados durante a visita de Lula a Nova Délhi, agendada para 19 a 21 de fevereiro. A missão presidencial está sendo organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e coincide com as tratativas para ampliar o acordo Mercosul-Índia.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirmou que o governo enxerga no mercado indiano, com cerca de 1,45 bilhão de habitantes, “o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil”. Em coletiva anterior, Viana explicou que as exportações brasileiras ainda podem avançar sobre um amplo leque de segmentos, saindo da atual concentração em petróleo (30 %), açúcar e melaço (15 %), óleos vegetais (14 %) e minério de ferro (6 %).
Em 2025, o Brasil importou quase US$ 8,5 bilhões em produtos indianos, enquanto vendeu US$ 7 bilhões ao país asiático. A meta oficial é diversificar a pauta, incluindo defensivos agrícolas, medicamentos, componentes automotivos e combustíveis alternativos. A Embrapa também deverá integrar a comitiva para compartilhar tecnologias voltadas à produtividade de pequenos produtores rurais indianos.
Quase 200 empresários brasileiros já solicitaram vaga na delegação que acompanhará Lula, número que deve crescer nas próximas semanas. Cada executivo arcará com passagens e hospedagem, e parte da agenda reunirá grandes grupos indianos com investimentos em território brasileiro, que anunciarão planos para os próximos cinco anos. Na mesma ocasião, a ApexBrasil abrirá seu 20.º escritório internacional, em Nova Délhi.
Para contextualizar o peso desse intercâmbio, dados da Organização Mundial do Comércio indicam que Índia e Brasil figuram entre as economias emergentes com maior capacidade de elevar fluxos bilaterais, sobretudo em cadeias de valor de baixo carbono.
A ampliação do acordo Mercosul-Índia, em fase de negociação, deve reduzir tarifas e facilitar investimentos em energia limpa, setor que interessa a ambos governos. O entendimento inclui ainda cooperação militar, fornecimento de equipamentos médicos e parcerias em tecnologia da informação.
Com a aproximação diplomática, Brasil e Índia sinalizam que pretendem avançar além de acordos de intenção e converter as conversas em contratos comerciais efetivos já no primeiro semestre de 2026.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
