Banco Master: STF vê indícios de novos crimes do proprietário foi a conclusão do ministro Dias Toffoli ao autorizar, na última quarta-feira (14 de janeiro de 2026), uma nova etapa da Operação Overclean, conduzida pela Polícia Federal.
Banco Master: STF vê indícios de novos crimes do proprietário
O relator destacou “fartos indícios” de que os investigados, entre eles o banqueiro Daniel Vorcaro, continuam a cometer ilícitos que teriam como base a movimentação irregular de recursos do sistema financeiro. Na decisão, Toffoli demonstrou preocupação com a “demora injustificada” para a execução de mandados de prisão e de busca e apreensão, estabelecidos para até 13 de janeiro, mas cumpridos apenas no dia seguinte.
Entre as medidas autorizadas, estão a prisão preventiva de Fabiano Campos Zettel — executada no Aeroporto de Guarulhos quando ele tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos — e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. A Polícia Federal ainda realizou 42 mandados de busca, resultando na apreensão de veículos de luxo, mais de R$ 90 mil em dinheiro vivo e documentos que, segundo os investigadores, reforçam as suspeitas de desvio de valores para proveito particular.
Também foram alvo de busca o empresário Nelson Tanure, gestor de fundos ligados ao Master, e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos. A apuração indica uma possível rede de concessão de créditos fictícios que teria movimentado até R$ 17 bilhões em títulos forjados, esquema já apontado em fase anterior da operação, iniciada em novembro por meio da Operação Compliance Zero.
Em manifestação enviada à imprensa, a defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro “permanece à disposição” das autoridades e vem colaborando “com total transparência”. A Agência Brasil informou que mantém espaço aberto para posicionamentos de todos os citados.
O Banco Central havia rejeitado, em março de 2025, a tentativa do BRB de comprar o Master por R$ 2 bilhões e determinou, em novembro seguinte, a liquidação da instituição de Vorcaro. Para Toffoli, a continuidade de práticas ilícitas mesmo após essas medidas reforça a necessidade de aprofundar a investigação.
No despacho, o ministro criticou a “falta de empenho” da PF no cumprimento imediato das ordens judiciais, alertando que a postergação poderia favorecer a ocultação de provas essenciais. Ainda assim, ressaltou que novas diligências estão autorizadas caso se mostrem necessárias.
Com o avanço da Operação Overclean, as autoridades buscam rastrear a destinação de recursos supostamente desviados, recuperar ativos e responsabilizar os envolvidos. A apuração segue sob sigilo, e relatórios preliminares serão remetidos ao Supremo nas próximas semanas.
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Crédito da imagem: Rosinei Coutinho/STF
Fonte: Agência Brasil
