Trump conversa com Gustavo Petro em ligação realizada na noite de 8 de janeiro, primeiro contato direto entre os presidentes dos Estados Unidos e da Colômbia desde a série de ameaças feitas por Donald Trump ao governo colombiano.
Trump conversa com Gustavo Petro após ameaças contra Colômbia
De acordo com Gustavo Petro, a conversa tratou de “visões divergentes” sobre a relação de Washington com a América Latina. O líder colombiano relatou ter apresentado a Trump o potencial da região para gerar energia limpa, proposta que, segundo ele, exigiria um investimento de US$ 500 bilhões atualmente disponível nos cofres norte-americanos.
“Explorar petróleo na América Latina apenas destruiria o direito internacional e nos levaria à barbárie de uma terceira guerra mundial”, afirmou Petro nas redes sociais ao detalhar a ligação. Ele acrescentou que a iniciativa energética estaria “fundamentada na paz, na vida e na democracia global”.
Após falar com Trump, Petro participou de um ato popular que convocara para reforçar a posição colombiana diante das ameaças dos EUA. No palanque, leu a mensagem recebida do norte-americano: Trump qualificou o diálogo como “uma grande honra” e disse ter tratado da questão das drogas e de outros desentendimentos bilaterais. Ambos manifestaram expectativa de um encontro presencial “em breve”, já em fase de negociação.
O telefonema ocorre dias depois de Trump declarar que “uma invasão à Colômbia parecia ser uma boa ideia”, acusando o país de produzir cocaína para vender aos Estados Unidos. Na mesma ocasião, chamou Petro de “homem doente”. O presidente colombiano reagiu dizendo que Trump possui “cérebro senil” e que vê os defensores de recursos renováveis como “narcoterroristas” por se negarem a fornecer carvão e petróleo.
Analistas apontam que a tensão entre os dois governos cresceu após a operação militar que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, na Venezuela, ação que intensificou debates sobre segurança regional. Como ressalta reportagem do The Washington Post, Washington tem pressionado países vizinhos a colaborar em ações antidrogas, enquanto Bogotá busca diversificar sua pauta energética.
O futuro das relações bilaterais dependerá, segundo Petro, da disposição dos Estados Unidos em investir em projetos sustentáveis. Trump, por sua vez, tem reiterado interesse em discutir a “crise das drogas” como prioridade.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
