Levantamento do A.C.Camargo e Nexus aponta que 72% dos nordestinos nunca ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas fezes (PSO). Apenas 8% já fizeram o exame, menor índice do país, diz pesquisa.
Um levantamento realizado pelo A.C.Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus, revelou que 72% dos moradores da região Nordeste nunca ouviram falar do exame de sangue oculto nas fezes, conhecido como Pesquisa de Sangue Oculto (PSO). Este índice representa o maior desconhecimento do Brasil sobre essa importante ferramenta de rastreamento precoce do câncer colorretal.
A pesquisa, que ouviu 2 mil pessoas de diversas regiões do país, mostrou que apenas 8% dos nordestinos já realizaram o exame, o menor percentual entre todas as regiões. Além disso, 19% dos entrevistados afirmaram conhecer o exame, mas nunca o realizaram. Essa situação se torna alarmante, uma vez que o câncer colorretal é o segundo tumor mais comum no Brasil, com estimativa de 53.810 novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Embora o desconhecimento sobre o exame seja elevado, a população nordestina demonstra uma boa percepção sobre os sintomas da doença. A pesquisa indicou que 82% dos entrevistados na região consideram grave a presença de sangue nas fezes ou uma alteração no funcionamento intestinal que persista por mais de um mês. Este é o segundo maior índice entre as regiões, atrás apenas do Norte/Centro-Oeste, que registrou 87%.
Entre os participantes, 69% acreditam que sangue nas fezes ou alterações intestinais prolongadas podem indicar câncer de intestino, próximo ao índice de 70% do Sudeste e acima da média nacional, de 67%. Apesar desse reconhecimento, a falta de conhecimento sobre o exame PSO pode resultar em diagnósticos tardios e taxas de cura mais baixas.
Os dados também revelaram que, entre os nordestinos que notaram a presença de sangue nas fezes, apenas 49% buscaram ajuda médica imediatamente, abaixo da média nacional de 59% e distante do Sudeste, onde 72% procuraram atendimento. Além disso, 23% dos entrevistados optaram por não fazer nada a respeito do sintoma, enquanto 15% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na dieta antes de consultar um médico.
Especialistas do A.C.Camargo enfatizam a importância de não ignorar sinais como sangramentos, alterações no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem explicação. A realização de exames preventivos a partir dos 45 anos, ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar, é fundamental para a detecção precoce da doença.
“O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, afirmou um especialista da instituição.
A pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 30 de junho de 2026, abrangendo 2.015 cidadãos com 16 anos ou mais em todas as 27 Unidades da Federação. A amostra foi controlada por quotas de sexo, idade, atividade econômica, região e condição do município, garantindo a representatividade dos dados.
